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domingo, fevereiro 22, 2009

Great American Glories (VII)

Agora que Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal ganhou o prémio de pior sequela do ano, cortesia dos Razzies deste ano, penso que será apropriado retomar esta rubrica com o terá, provavelmente, contribuído para uma tal sentença. Não me interpretem mal. Não pretendo, na verdade, falar mal do filme, até porque acho que ele já sofreu o suficiente desde a sua inauguração (claramente, o júri dos Razzies não concorda comigo). Mas chamou-me a atenção o facto de o argumento deste quarto filme - ali com o aliens 4 junto às sequelas que um dia deixarão de ser consideradas canónicas -, colocar o ilustre arqueólogo a falar Quéchua, língua nativa do PERÚ. Nada de especial, uma vez que a construção do personagem pressupõe um estado de iluminação e excelência particular que o permite, a despeito das leis da paciência e da imutabilidade das 24 horas do dia (considerando, claro, a latitude de cada um) que o permite fazer-se comunicar em todo o espectro do falar humano, desde alemão até um qualquer dialecto perdido no meio da Índia.
E depois de uma tal demonstração de agnição, de ciência e, sobretudo, de PURO DOMÍNIO... ele diz que aprendeu a falar quéchua com o Pancho Villa. Ora, não consta que, nos seus 45 anos de vida, Pancho Villa, enquanto se dedicou ao saque e à pilhagem e às actividades militares em território MEXICANO, tenha saído para qualquer outro país que não os Estados Unidos. Portanto, e colocando-me na pele e, principalmente, procurando compreender o que é a responsabilidade de um júri destinado a galardoar obras cinematográficas, é claro que rapidamente percebemos que o Indiana Jones, não só não sabe falar Quéchua, como provavelmente pagou às pessoas com quem falou para grunhirem uns sons para se armar em bom junto do filho, como provavelmente terá pago aos camponeses da Índia (no saudoso segundo filme) para terem consigo uma conversa qualquer da tanga só para poder comer a mulher do Spielberg. Caramba, como poderia o filme NÃO ganhar o prémio de pior sequela do ano?

ML

sábado, fevereiro 09, 2008

Great American Glories (VI)

Bom, agora que já estreou o filme John Rambo, vulgo Rambo IV, penso que já posso publicar este post, que está assim em potência desde que saiu o trailer.

Então, parece que neste filme o Rambo tem de ir salvar uma missionária cristã que foi capturada pelo exército da Birmânia (ou Burma, em inglês). Ora, e o que é isto tem de especial? Ou, mais ainda: o que é que isto tem de especial para estar nesta categoria dedicada às pérolas da cinematografia norte-americana? Pois bem, os poucos de vós que admitirem que não sabem exactamente onde fica a Birmânia, procurem no mapa entre a Tailândia e um pedaço da Índia. Estão a ver? Não estão, pois não? Isso é porque NÃO ESTÁ LÁ! A Birmânia agora chama-se Myanmar! Chamar Birmânia a Myanmar é o mesmo que chamar Ceilão ao Sri Lanka! Sião à Tailândia! Zaire à República Democrática do Congo! República do Alto Volta ao Burkina Faso!!!

....

Ninguém quer saber, pois não?

ML

domingo, fevereiro 25, 2007

Great American Glories (V)

Esta não é a rubrica com mais sucesso deste blog. Mas não importa porque vou ser sincero... dá-me um especial gozo apanhar estas tão crassas manifestações de ignorância por parte de um colectivo que se arroga ter atingido um estado de avanço cultural neste planeta que roça o dignitarismo ético (eu sei, é uma apreciação superficial, mas superficiais são também tantas outras coisas que fazemos por aqui...). Então vamos lá a isto. Eu acabei agora mesmo de ver o filme Celestine Prophecy. Para quem não viu ainda, a acção decorre no Peru. Ora, o local de acção não é importante senão para efeitos deste post. Estamos a falar de umas ruínas perdidas lá para os confins do país onde, eventualmente, irá culminar o climax do filme. Está claro que, para efeitos narratológicos, as ruínas têm de ser explicadas ao público que gastou o dinheiro do bilhete. Portanto, estão o herói e o herói secundário que, como sempre nestes assuntos, sabe mais que o protagonista. O herói secundário está, então, a fornecer um certo insight (É um trocadilho! Vejam o filme, este trocadilho está um espectáculo! Eu fico maluco com o meu dom narrativo!) sobre as ruínas. E o herói em êxtase, a tentar interiorizar a magnitude do que lhe está a ser dito. O diálogo era mais ou menos assim:
Herói: «Uau, estas ruínas são magníficas!»
Herói Secundário: «Estas ruínas (cujo nome não me dignei a fixar - nota do tradutor) são antiquíssimas. Elas precedem a conquista espanhola».
(Pausa)
Herói Secundário: «Os Mouros».

Começa aqui a lição de História. Encontra-se estabelecido pela comunidade de historiadores em todo o mundo com um grau razoável de segurança que nunca houve um estado muçulmano na América. Vamos recordar então os principais estados colonizadores do continente americano? Portugal, Espanha, Inglaterra, França, Holanda (e umas incursões pelos Suecos e Dinamarqueses, mas fiquemo-nos por aqui). Aqui vos deixo o mapa que mostra em traços gerais o auge da expansão muçulmana no mundo por volta de 1500.



Tomem nota que o Peru fica na costa ocidental da América do Sul e portanto a setinha devia estar do outro lado do mapa, mas ali no golfo da Guiné havia mais espaço. Por favor, notem o Oceano e continente de distância que separa África e o Peru propriamente dito. Notem ainda que até hoje não existe memória da queda de uma dinastia marroquina no Peru às mãos dos espanhóis que, como penso ser sabido, lograram conquistar ao invés o império inca.

(reprodução fiel de uma indígena inca)

ML

domingo, agosto 27, 2006

Great American Glories (IV)

Numa rubrica como esta acho que toda a gente estaria à espera, mais dia menos dia, que aparecesse como ilustre convidado... o Esquadrão Classe A. É claro que, tratando-se de um grupo de ex-militares do Vietname, uma pessoa não esperaria muito deles no domínio da cultura geral. Mas sejamos francos: o Esquadrão Classe A não existe! É um programa que a Wikipedia insiste em classificar de culto que é escrito por pessoas comuns como eu ou qualquer um de vós. É claro, nos Estados Unidos, ser «comum» toma logo outras dimensões. Se eu digo a uma pessoa, com o objectivo de a intimidar, «és como o Luís XIV: és um alvo», ela pode ter uma das seguintes reacções: «Epa, a minha História já lá vai há um tempo, mas o Luís XIV não foi o rei que se fez rodear de um grande fausto e conseguiu dar à França um enorme prestígio na Europa? Rei Sol e tudo o mais? Ser o Luís XIV é mau?»; ou, sendo americano associas o único nome que conheces ao único evento francês que conheces de acordo com o seguinte esquema: França > Europa > Monarquias > Luís XIV > Revolução > Mortes > Decapitação do Rei: Oh, senhores, querem-me matar??? :'(

ML

Nota do Historiador: O rei executado como consequência da Revolução Francesa foi Luís XVI. Faz sentido a confusão dos argumentistas da série. Trocaram-lhes o sacana do número.

domingo, julho 16, 2006

Great American Glories (III)

Ok, então quantos de vós tiveram oportunidade de ver esse fantástico filme que ontem na SIC acerca da angústia, da desilusão pátria de um grupo de operativos da URSS com o seu país? A intrincada e complexa, contraditória, quem sabe, rede de sentimentos que reflui do desânimo que forma de um ideal destroçado... Chamava-se Triple X, creio, e era protagonista esse colosso do cinema estado-unidense chamado Vin Diesel. Ou, como dizem os espanhóis, Vin Diesel. Bem, o que me trás aqui hoje, nesta rubrica, é o seguinte. A dada altura o mau da história vai lançar um vírus muito mau que vai matar muita gente e vai lançá-lo numa maquineta... bem, acreditem que os contornos da história são irrelevantes. A questão é que o vírus se chama «Ahab». Não sei porque se chama Ahab, porque mesmo numa tarde desocupada como a que tive ontem, entre o Triple X que eu nunca tinha visto e as reposições do Stargate no AXN, bem, acho que a escolha é óbvia. Enfim, para encurtar a coisa: o vilão mantém uma postura anarquista, anti-muita coisa, obviamente anti-globalização. É russo! O que é que leva um tipo destes a escrever o nome do vírus com o alfabeto latino e não em cirílico?!

ML

quinta-feira, maio 04, 2006

Great American Glories (II)

Devo confessar que a primeira vez que fiz um post com este título pensei como seria interessante fazer disto uma rubrica, ao mesmo tempo que lamentava a minha falta de tempo para pesquisar sobre fenómenos geniais da cultura americana. Hoje, na mesma fonte de inspiração desse meu post anterior, a RTP Memória, encontrei finalmente outra pérola da produção televisiva americana - Mission: Impossible!

E a minha questão é: como é que se explica, num episódio que teoricamente se passa num pequeno país afecto à URSS, de regime comunista, portanto algures na Europa do Leste, anos 70, que entre a população filmada nas ruas se encontrem tantos elementos de origens africanas e/ou mestiças?




ML

quinta-feira, fevereiro 09, 2006

Great American Glories...

Ao ver um daqueles filmes antigos do John Wayne não pude deixar de me interrogar... porque razão é que os apaches falam castelhano...?

ML