terça-feira, janeiro 30, 2007

Copianços ou quase

Portugal é um país estranho mas muito interessante e isto porque por cá algo tão simples como copiar uma obra, seja ela de que espécie for, pode ter dois sentidos e consequentemente dois resultados diferentes. O absurdo que se produz é de tal ordem que nomeamos a consequência da cópia de duas formas diferentes, quando a cópia corre mal ou produz um resultado negativo dizemos que houve "plágio" mas quando a cópia corre bem ou produz resultados positivos nesse caso diz-se que se fez uma "homenagem".
Sendo assim gostaria de agradecer a diversos colegas por me terem deixado homenageá-los durante alguns anos, principalmente durante a época de exames e pedir desculpa a todos aqueles que plagiei. Que fique bem claro que apenas estava a tentar homenagear os seus excelentes trabalhos. Uma pena que os professores tenham "caçado" as pequenas "notas de homenagem" que tinha preparado.

P.S. Por motivos óbvios este post não será assinado

domingo, janeiro 28, 2007

terça-feira, janeiro 23, 2007

Pensamentos Soltos

Nos últimos dias têm-me inquietado várias questões:

a) será que me vou esquecer de mudar o meu estatuto no hi5 de «single» para «committed» quando começar a namorar?

b) serei homofóbico por ter medo de um grupo de assaltantes à noite na rua?

c) estando eu a morar com a minha irmã, será que vivo em união de facto? E as freiras num convento?

ML

segunda-feira, janeiro 22, 2007

Grandes Portugueses - Álvaro Cunhal

Então porque é que escolher a Camarada Odete para defender o Álvaro Cunhal é uma má ideia? Bem, por um lado o senhor já faleceu há um tempo, por isso acho que o público português pode muito bem dispensar o seu elogio fúnebre e dadas as suas raízes políticas acho que podemos esquecer a acumulação de virtudes para o seu processo de beatificação. Portanto, como devem compreender, o meu principal problema em ter um activista político a comentar outro passa, neste caso, um pouco pelo facto de a luta continuar e de o Alentejo e a margem Sul não serem suficientes para conquistar São Bento. Mais uma vez o problema aqui prende-se com todo o conceito do programa. Penso que a Camarada é a pessoa ideal para o defender, mas não será, de longe, quem mais convém para acompanhar o seu percurso de vida que, penso eu, será mais que a soma da experiência que a Camarada tem dele. Ambição muito curta será reduzir esta figura a um exercício de propaganda política, dado que em Álvaro Cunhal muito mais haverá para se falar que aquilo que fez com que os seus admiradores o levassem ao pódio. Estes já o mitificaram. Então e desmitificar? Não?

ML

sábado, janeiro 20, 2007

Grandes Portugueses (II)

Olá. Eu prometi que continuaria o post abaixo escrito e por isso cá estou de volta. A ideia é fazer finalmente aquilo que tinha pensado inicialmente. Não se tratava de pegar nos mais votados e fazer corte e costura, mas sim explicar exactamente porque é que "Os Grandes Portugueses" é a ideia mais pobremente executada que a RTP já teve.

Não vou sequer comentar as sugestões que a RTP tinha no site quando da primeira fase. Não fossem elas e provavelmente o sr. Pinto da Costa estaria eventualmente no podium, quiçá no lugar do Diplomata Aristides de Sousa Mendes, sobre cuja figura me questiono quantos portugueses realmente se recordariam. Mas isso não vem ao caso.

Eu não desgosto da lista final, apesar de ter estranhado a presença do Álvaro Cunhal, a qual importância para a História de Portugal me parece ainda demasiado cedo para compreender. Mas pronto, ao menos parece uma posição honesta e não comentar a sua chegada aos 10+. Vou, isso sim, comentar e criticar a escolha. Ou melhor, a Escolha. Toda a ideia que preside à escolha, no seu todo, dos Defensores, como a RTP tem no seu site. Porque até a escolha da designação "Defensores" é altamente indicativa do quão anti-pedagógica toda esta iniciativa se tornou.

Estas figuras não precisam de Defensores. Isto pode parecer uma noção parva, mas Defensores têm estes senhores em todas as pessoas que votaram neles. Do que eles precisam é de Esclarecedores. Oficialmente, estes 10 homens são agora parte de uma mitologia do que é ser português. Ou seja, estes homens desempenharam um conjunto de acções que, por alguma razão, fazem com que os portugueses se revejam nelas e encontrem ali uma imagem de excelência e de identidade. Estes homens são, portanto, de um certo ponto de vista, uma mostra do que é o país que temos, dos seus ideais, daquilo com o que se identifica e deseja, e acho que por esse motivo merecia uma abordagem ou pouco mais séria, uma abordagem que ao mesmo tempo nos mostrasse o homem no seu tempo e homem enquanto objecto de admiração. Estou a falar de uma abordagem que instruísse, que educasse. Mas depois vamos olhar para o elenco de Defensores e se calhar ficamos a pensar se esta pedagogia da RTP não é na verdade uma demagogia, ou uma espécie de propaganda televisiva inculcadora de valores como se fazia no Estado Novo, mas agora ao modo do século XXI.

E para isto eu vou apenas pegar em três casos: o da Camarada Odete; o do Dr. Paulo Portas; o da Eurodeputada Ana Gomes. E para tornar isto mais ligeiro, farei uma apreciação por dia. Gostaria que fossem escolhas menos óbvias (para os que me conhecem) e mais orgânicas em relação à estrutura do programa, mas por um lado nem eu me sinto à vontade para falar com segurança de cada uma das personagens, nem consegui ver a apresentação dos Defensores na íntegra nesta semana que passou (culpa da RTP, que veicula informações incorrectas no seu site). Pelo que vou falar de um erro crasso (Odete na defesa de Álvaro Cunhal) e duas figuras sobre as quais me sinto mais ou menos à vontade porque as estudo (teria preferido o Infante D. Henrique ao Vasco da Gama, mas não ouvi a apresentação de Gonçalo Cadilhe sobre o amigo Infante).

Por isso, até amanhã, ou um dia em que me apeteça escrever. Porque hoje, claramente, já não é o caso.

ML

terça-feira, janeiro 16, 2007

Grandes Portugueses

Não vos saberia dizer o que me levou a escrever um post tão impreparado e mal pensado como este. Para vos ser franco, o mecanismo é mais ou menos o seguinte: "Eu até tenho a password de um blog onde me posso entregar livremente a manifestações de indignação e mandar todo o tipo de bojardas sem ter de me preocupar seja com o que for. Por isso, acho que me vou entregar livremente a manifestações de indignação e mandar todo o tipo de bojardas sem me preocupar seja com o que for". É que, ao contrário dos nobres propósitos que presidiram à fundação deste blog, eu nem sequer vou tentar atingir um nível mínimo de humor para agradar aos dez milhões menos 9,999, 940 portugueses que nos visitam diariamente. Eu cá vou fazer como num primeiro encontro e deixar-me ir e ver o que é que sai.

Para os que já me estiveram a ouvir no messenger esta noite, o tema é óbvio. Os Grandes Portugueses (para os outros também, basta olhar para o título). E como vos digo, não tenho um plano pré-definido para começar a bater na ideia mais pobremente executada da RTP nos últimos tempos.

Oh, eu nem sequer vou pegar nos resultados. Porque acho que quando uma nação vai a votos e o Hélder Pestana aparece numa 79.ª posição à frente de Gil Vicente e Almeida Garrett... quer dizer, para quê, não é? Ok, pronto, então eu pego só um bocadinho nos resultados e na completa e absoluta falta de consciência temporal e do que é o seu país que os portugueses têm. Mas vou limitar-me aos que se ficaram abaixo da 10.ª posição até à 100.ª, que também podem ver aqui.

Acho que depois do choque inicial de ter visto tanta figura ligada ao mundo do espectáculo (desportivo, musical, televisão), que tentativamente agrupo na designação conjunta de entretainers (e que também a mim me entretêm, não tenho porque o negar), foi ter reparado como mais de metade dos eleitos eram figuras públicas bastante próximas às vivências dos vários escalões etários deste nosso Portugal. Aqui passam-se duas coisas. Ou três. Por um lado, as pessoas não conseguem evitar sentir a sua "portugalidade" a partir de um tempo muito curto, o da sua vida ou o dos seus pais/avós, manifestando assim quão ténue se manifestam os oito séculos de vivências e construção cultural no que se hoje se conhece por «Portugal» ou «portugueses»; por outro, a esta ausência de dimensão temporal junta-se uma mostra muito curiosa dos ritmos da "portugalidade" contemporânea, ritmos que são fundamentalmente do político e do espectáculo; por último mostra finalmente o alcance da vida de muita gente que, perdoem-me a expressão, mas cacete, conseguiram fazer com que o Eça de Queiróz ficasse atrás de uma figura cuja façanha na vida é fabricar campeonatos de futebol!!

Como se diz por aí, pelo amor da santa, é que até o Vítor Baía, que até é um frangueiro do caraças, mereceu honras de votos, imediatamente depois do D. Afonso III, e acima do Bartolomeu Dias. Mas por outro lado também estou certo que aos adeptos mais acérrimos do FC Porto será de pouco monta o feito da conquista final do Algarve, por isso, porque não?

Não sei se devo falar do tremendo erro crasso que foi fazer esta votação fora dos circuitos normalmente utilizados para eleições e referendos porque permitiram que cada zeca e pitinha com meio cérebro, mas com telemóvel e acesso à internet pudessem votar. E para expiar uma falha destas, nem o sacrifício de toda a gente que votou no Hélio Pestana, personagem que, confesso, tive mesmo de perguntar de quem se tratava, bastaria. Porque a vergonha ficará recordada nos anais.

E é falando de anais e de todas as sensações fétidas para que a palavra me remete que passaria a comentar a escolha dos "advogados"dos dez mais votados, que era o propósito inicial deste post, motivado pelo programa de hoje à noite da Maria Elisa. Mas para ser franco acho que vou continuar esta conversa outro dia, porque para essa discussão, só indignação não é suficiente e esta já vai longa.

ML

Questões Porno-Populares

Primeiro alargaram o túnel do Rego. Foi uma tarefa árdua que levou perto de ano e meio. Seguiu-se o alargamento de Coina que, salvo erro, ainda não foi terminado, algo perfeitamente compreensível para quem já alguma vez passou por lá. Mas a pergunta que o povo quer ver respondida é: para quando, oh para quando, a tão aguardada extensão de Pechão?
CP

sábado, janeiro 13, 2007

O que me lixa no meio disto tudo...

...é que eles não são multados por não andarem com um saquinho a recolher a bosta que os seus animaizinhos de estimação deixam pelas ruas. Expliquem-me a utilidade de um bicho destes a borrar-se pelos passeios que justifique que a sua bosta fique em exibição para transeunte ver? A sério, quão difícil será evadir um polícia a cavalo nas ruas de Lisboa?

ML

quarta-feira, janeiro 10, 2007

Anonymous Anónimo - uma biografia

Anónimo nasceu filho de pai incógnito e de mãe incerta, algures nos vales dos montes lá para terras de nenhures.
Teve uma infância incerta e uma vida adulta inconstante, trabalhando nisto e naquilo, nunca foi excelente em nada do que fez conseguindo ser no máximo razoável. Casou com uma rapariga do sexo masculino, esbelta mas feia, anafada e anoréxica. Divorciou-se dela passados 10 dias e após ter sido consumado o casamento por ambas as partes. Viveu momentos de grande alegria na mais profunda tristeza e sentiu-se sempre bem acompanhado na solidão daquele quarto nas águas furtadas da Torre nº2 do quartel dos bombeiros semi-amadores de Entre-Rectas, uma magnifica localidade mundialmente desconhecida graças ao ar apático de seus habitantes. Passou uma velhice meramente incontinente e sofreu uma morte insondável. Morreu lá para os lados do sol posto onde tudo é mutável menos o seu nome: Anónimo.

CP

P.S. Já li o começo deste post algures, o meio também não me é estranho e o fim é claramente um plágio a esse grande poeta da prosa Ramalho de Horta e Castro Vicente da Lapa Montescáspio de Antunes. As minhas desculpas pelos roubos e pelo plágio mas achei que ficava bem tudo junto.

sexta-feira, janeiro 05, 2007

Perguntas

-Mas as vacas na Índia não são sagradas?

-E quando o casaco ficar sujo o que é que eu faço? Rezo ou simplesmente deito-o fora?

-Por "Casa especializada" devo entender que me tenho de dirigir a um matadouro?
CP

quarta-feira, janeiro 03, 2007

Fiscalidade

Exmo. Senhor Ministro das Finanças,

Em meu nome e do Sindicato das Pessoas que Fazem Investigação em História vimos por este meio requerer um estatuto fiscal especial. Como é do conhecimento comum, este nosso ofício é uma profissão de elevado desgaste, o qual incide sobretudo sobre o sistema ocular, lenta e paulatinamente consumido pela leitura e decifração de centenas, mesmo milhares, de documentos manuscritos. Trata-se igualmente de uma profissão de alto risco, devido à ininterrupta solicitação dos nossos neurónios, traduzindo-se as mais das vezes em depressões, esgotamentos e efectiva insanidade. É ainda uma profissão de curta duração, que dura o tempo que dura o projecto daquele ano, quando os há. Desempenhamos ainda um ofício que presta um elevado serviço à nação, contribuindo com reflexões sobre o percurso histórico nacional que nos ajudam a compreender as bases das dificuldades que actualmente sente o nosso amado país.

De acordo com estes apontamentos, exigimos que as Pessoas que Fazem Investigação em História sejam abrangidas pelas regulações fiscais que regem as profissões de desgaste rápido.

Atenciosamente,

ML

segunda-feira, janeiro 01, 2007

Portugueses...

...regozijem-se! Há motivos para ter esperança! A partir de hoje não estamos já na ponta da cauda da Europa!
(mas tão-só pela altura do recto do animal).

ML

sábado, dezembro 30, 2006

E porque já não consigo abrir a página do blog e ver sempre o mesmo post....

.... tá na hora de reciclar FW's (por muito que seja contra a política deste blog, mas a calonice obriga a isto).

VENDO JET SKY


Ano 2005

Modelo 2005

Cor verde/branco

Pouco uso, apenas 50 horas

75 cavalos

Bom estado

Última revisão feita em Setembro

Reboque incluído

Preço a combinar

Ver Foto

























ML

segunda-feira, dezembro 25, 2006

domingo, dezembro 24, 2006

FELIZ NATAL PESSOAL!

Be Cool... It's Christmas!!

sábado, dezembro 23, 2006

Frases de Natal

*Depois de abertos os presentes*
"Fosga-se! Que presentes de mirra!"
CP

sexta-feira, dezembro 22, 2006

O Crioulo de Eva (II)

Por favor, digam-me que esta aberração linguística criada por pitinhas de 15 anos não está a passar para outros suportes e a ser aceite como língua...


Frases fofas... kill me now...

ML

terça-feira, dezembro 19, 2006

Tratado Lógico-Filosófico do Espírito de Natal

Estou a fazer este post depois de ter voltado do Templo. Qual? Ora, qual é o Templo que fica mesmo ao lado da Catedral? O Colombo, obviamente. E estou a fazê-lo mesmo depois de ter voltado com uma enxaqueca demoníaca porque penso que é importante reflectirmos um pouco nessa coisa muito falada que se chama "Espírito de Natal", agora que estamos a uma semana dessa celebração religiosa chamada, bem... Natal.

Penso que há outra razão, além da sua proximidade com a Catedral, para nos referirmos justamente ao Colombo como Templo. Porque é óbvio que reunir tantas pessoas de partidos e clubes diferentes sob um só tecto não é coisa fácil. Normalmente só a Assembleia da República consegue um feito desses, mas mesmo assim sem a harmonia e sintonia que inegavelmente encontramos no Templo. E isto é um reflexo indubitável da espiritualidade cristã que nos insta com avidez religiosa a ir ao Templo perpetuar a tradição bimilenar iniciada quando os Reis Magos ofereceram ao menino Jesus incenso, mirra e a outra coisa que não me recordo agora.

Mas é esta parte que não compreendo e que em termos culturais é muito interessante de analisar. Se bem me recordo, o menino Jesus não ligou puto aos presentes, daí que me questione sobre as bases espirituais que mantêm viva esta tradição. Depois de pouco pensar creio ter encontrado a resposta a esta dúvida existencial. Parece-me claro que séculos e séculos de exegese religiosa serviram para se assumir que o menino Jesus era, bom... um menino, e como tal não tinha ainda cabeça para compreender a magnificiência de uma prenda de Natal, daí que se tenha recuperado tão insigne tradição. Por este motivo julgo ser compreensível que os centros comerciais estejam a abarrotar pelas costuras e com mais pessoas que uma igreja em dia santo e contesto e condeno essa gente desconhecedora do espírito de Natal que invectiva de capitalismo consumista com que esta sagrada tradição tem sido injuriada.

Um Feliz Natal a todos, se não nos virmos antes,

ML

PS: Este post é uma refundição de outro que postei mas voltei a apagar para o dividir em dois. Como me foi informado que alguns de vós viram e comentaram, volto a publicá-lo abaixo deste (quase) na íntegra, lamentando desde já ter apagado os vossos comentários, dos quais não tinha conhecimento. Ok, na verdade foi só um, mas mesmo ainda assim, as minhas desculpas, Daniela Mann (a culpa foi do CP e do HS).

A Crise em Portugal

Não é preciso pensar nem andar a inventar muito para encontrar motivos para começarmos a falar deste tema (ver título). A malta anda a saltar de emprego precário para emprego precário, obriga-se a gramar trabalhos que não gosta, passa recibos verdes, não avança para os quadros... penso que esta breve lista podia ser colorida à exaustação, por isso vou poupar a minha desgastada massa cinzenta na tentativa de fazer algum humor e deixo-vos com o cativante concurso "quem diz pior do seu país". Ora bem, nenhum destes casos será o meu ponto de partida para a minha reflexão de hoje. Pelo contrário, deixem-me facultar-vos alguns dados que com árduo suor pude coligir ao longo de várias semanas:

Lisboa, Novembro/Dezembro de 2006:

Local/médias de idades:

Santos: 16 anos
Parque das Nações: 20 anos
Docas: 21 anos
Bairro Alto: 24 anos

Os licenciados, a uma semana do Natal, numa sexta-feira à noite, estão quer a descansar para irem no dia seguinte para um emprego que lhes provoca asco, mas a que a tradição religiosa e espiritual de emular a outorga das prendas ao menino Jesus pelos Reis Magos que no século XXI se designa por capitalismo consumista, obriga; ou estão a poupar dinheiro para prolongar tão íntima e sublime tradição e por isso não podem sair à noite. Ambas as opções me levam, por um lado, a concluir que os jovens responsáveis e trabalhadores efectivamente estão agarrados à bolsa e que o país está em crise; por outro, a interrogar-me... mas o que estou eu a fazer da minha vida....?

ML

sexta-feira, dezembro 15, 2006

Talk to the Hand

Em cada um de nós há sempre um pedestre. É verdade. Porque eventualmente seremos forçados a deixar a segurança e o conforto do nosso veículo e juntar-nos ao povo incógnito (sim, porque quando conduzimos, ao menos somos uma matrícula). A ser mais um. E a sujeitar-nos ao imparável fluxo do tráfego. Imparável é a palavra. Sabem aquelas avenidas loooongas, com passadeiras pelo meio? Dessas mesmo onde ninguém pára. Pois é, há um fenómeno muito curioso que tenho a certeza que o pedestre dentro de vós já experienciou quando se aproxima de uma dessas passadeiras: é quando o condutor daquele carro, que ainda vem ali ao longe e que nos vê a avançar para a passadeira, sofre um espasmo no pé e se vê forçado a acelerar para passar a uma velocidade maior que a que seguia. E naquele borrão de cores que passa por nós ainda há uma coisa que conseguimos perceber: uma mão.

Pensem comigo: se fossem vocês o condutor, conscientes que há uma pessoa à espera para atravessar a estrada no espaço designado, aceleram propositadamente, passam pela pessoa que está, incrédula, a olhar para vocês e levantam a mão. Para quê? Pedir desculpa? Quê, estão muito arrependidos? Claro que não, se fizeram de propósito! Para mim não há muita volta a dar, levantar a mão para não deixar passar na passadeira é um acto de altivismo: «Talk to the Hand, seu miserável peão! Se não queres ser esborrachado, espera a tua vez!»; ou arrogância: «Hei, tu aí! Quietinho que já passas» ou trocista: «Olá, estás bom?». E depois disto ainda há quem atravesse a estrada satisfeito por se ter cruzado com um condutor tão educado...

ML

segunda-feira, dezembro 11, 2006

Estigmas, chagas e outras aventuras que tais

Tendo em conta que estamos em época natalícia e começa, mais uma vez, a estar na moda falar de Jesus, há uma pergunta que preciso fazer quase tanto como preciso da edição em Dvd do filme Party de Manoel de Oliveira. Suponho que toda a gente esteja familiarizada com as "chagas de cristo" e com a quantidade astronómica de gente que anualmente afirma ter os ditos estigmas - quem não sabe do que estou a falar há alguns filmes que podem "consultar", nomeadamente (e só porque é comercial à brava) o Stigmata. Passa-se então o seguinte, eu até estou disposto a admitir que Cristo tenha sofrido os estigmas, afinal de contas isso apareceu já em diversos filmes, incluindo naquele feito pelo senhor do Braveheart, filme esse incrivelmente similar ao dito Braveheart com a ligeira diferença que eles nem sabem falar inglês e que no fim não se ouve o jovem a gritar "Freedom!", apenas balbucia umas coisas enquanto faz olhinhos para o céu o que, convenhamos, não dá propriamente aquele impacto! Como toda a gente sabe os filmes só versam sobre a realidade logo é certo que Cristo existiu, vagueou, ceou, foi beijado por um suposto amigo com barba e sofreu os estigmas. Ora, eu não me admiro nada com isto dos estigmas, aquelas feridas semi-grotescas nas mãos, nos pés e no peito, já que afinal de contas Cristo vagueou pelo deserto durante uns tempos juntamente com os seus múltiplos amigos e, segundo consta, com a amiga de eleição de todos eles (Who is village bicycle? Anyone?). Como se sabe o deserto é um sítio "ligeiramente" abafado, não sendo portanto o local mais apropriado para dar uma volta depois da refeição (segundo reza a lenda, a avó de Cristo ainda hoje está à espera que ele regresse do tal passeio. Ao que parece Cristo terá dito à avó que ia só dar uma volta ao quarteirão e comprar tabaco) e também não o sítio certo para jogar às escondidas. Mesmo com a indumentária típica da altura, aquelas roupagens a puxar para o hippie mal-amanhado, a túnica já meio suja (as azeitonas tendem a deixar manchas terríveis) e a sandália aberta à moda de Roma, suponho que muito boa gente sofreria de problemas de pele. Ora bem, então não seriam, e não serão hoje em dia, as tão famosas chagas de Cristo, e agora peço desculpa pela imagem, nada mais nada menos que enormes micoses?

P.S. Para quem sofre da chamada "chagá à lá Cristô" vulgo "chagas de Cristo", o Instituto para a Qualidade de Vida e Protecção da Natureza recomenda que consulte o seu médico ou farmacêutico. É que já há umas pomadinhas que lhe resolvem isso...
CP

domingo, dezembro 10, 2006

Uma semana depois...A Reconquista

Passada uma semana da já famosa Restauração aqui fica a resposta de Carlopsis



sábado, dezembro 09, 2006

Não há novidades é?


Algumas coisas velhas que resolvemos reciclar e colocar à vossa disposição (ou se preferirem, enquanto não aparece nenhum post de jeito aqui vai disto):

- "Novo" Podcast (na realidade este é um dos mais antigos mas tinha ficado esquecido... se calhar era melhor ter permanecido esquecido...) Meninas no Telemóvel

- Para os que, tal como nós, não gostam de fazer o chamado scroll down ficam agora a saber que desde Outubro os Carapaus com Chantilly têm colaborado a Jornalismo Porto Rádio no seu espaço Posta@Posta. Desta colaboração surgiu o segmento intitulado "Direito de Antena" que agora disponibilizamos numa secção própria, mesmo ali do vosso lado esquerdo (ou direito caso se encontrem de costas para o monitor) por baixo dos velhinhos Podcasts e por cima dos novinhos Videocasts.

Até breve!

sábado, dezembro 02, 2006

Restauração

Para comemorar este feriado, os Carapaus com Chantilly apresentam...

um trabalho melhor deixado inédito...

segunda-feira, novembro 27, 2006

A catástrofe ignorada

Parece o mito do eterno retorno... Cada Inverno que vem é como o anterior: onde durante o Verão deflagram os incêndios, três meses depois lá estão as cheias para nos lembrar que vivemos numa falsa segurança e que tudo quanto se tem pode ir literalmente pelo cano. Todos os anos é a mesma coisa: cidades inundadas, rios entupidos de viagra, carros plenamente convictos que desta é que vão provar que sabem nadar, enfim, tudo somado... pessoas desalojadas, prejuízos de muitos euros, a ruína do pequeno comércio... tudo na tv para nosotros vermos da (ainda) segurança do nosso lar... ou não?

Não, de facto. Porque com o aparato das casas alagadas e das linhas de comunicação cortadas, os media não prestam atenção à real tragédia, à devastação em grandes proporções que se passa tão perto de nós... tão próximo das nossas casas... na verdade, debaixo mesmo dos nossos pés... e só quando nos bate à porta é que nos damos conta. E não só não se fala, como se insiste em ignorar e em não fazer nada a respeito. Mas até quando vamos deixar continuar a inundação e destruição dos formigueiros!!? Todos os anos, centenas de milhar de formigas são forçadas a abandonar as suas colónias por causa desta catástrofe formicidária e a invadir as residências alheias em pânico e desespero. Ora, não se trata apenas de uma situação perturbadora para a formiga, que busca a todo o custo refúgio num espaço seco e seguro, mas para o próprio Homem, que não tem o seu espaço adaptado para o acolhimento de milhares de novos elementos, por pequenos que sejam. A crise dos formigueiros acaba, deste modo, por provocar desiquilíbrios difíceis de resolver, particularmente porque, no seu pânico, as formigas procuram restabelecer o seu ecossistema na cozinha do Homem, agravando uma tensão diplomática já de si periclitante devido à violação das fronteiras domésticas. A unilateralidade das formigas acaba, muitas vezes, por conduzir à abertura das hostilidades e ao genocídio provocado pela bomba Raid ou pela alternativa não menos eficaz, os bombardeamentos com Ajax.

O genocídio das formigas tem de ser divulgado e os Carapaus com Chantilly apelam nomeadamente à Tvi que se digne noticiar esta catástrofe que todos os invernos chega às nossas casas. Passem a palavra! Insurjam-se! E queiram enviar os vossos donativos ao Núcleo de Apoio à Vítima do Formigueiro que funciona na sede dos Carapaus com Chantilly. Obrigado a todos.

ML

sábado, novembro 25, 2006

Aventuras Alucinantes

Vocês já apanharam uma caixa multibanco que falasse?
Pois é.Digo-vos que é uma experiência alucinante, mas também embaraçosa e por fim garanto que só dá vontade de responder: "oh minha sr.ª cale-se e passe para cá as massas!"

INCS


ps. - verifiquem se há algum agente da autoridade nas redondozas, é que parece que isso também se diz nos bancos, quando as pessoas invocando o anonimato exigem pagamento em numerário (vulgo dinheiro). Dizem que o resultado nunca é favorável para o cidadão.

Actimel

Seguindo o mau gosto e porqueira que tem assolado este blog, assim como inspirado pela referência a flatulência da nossa amiga 4025km decidi também partilhar com vocês o efeito que o actimel tem na minha pessoa. Digamos apenas que me sinto feliz pelo facto da publicidade não ser honesta; não desejaria a ninguém ficar fechado comigo numa bolha hermética após beber um actimel.

HS

segunda-feira, novembro 20, 2006

Of Bacteriae and Men

A ideia para este post surgiu-me há uns dias atrás quando, nesta sublime realidade própria que é a Lisboa na hora de ponta, procurava relaxar na privacidade do meu carro enquanto esperava que o sinal abrisse para, por causa do trânsito, mesmo assim não me deixar passar. E qual é o meu ponto de partida para este post? Privacidade. Há poucos sítios nesta vida onde temos real privacidade. Um deles, julgamos nós, é a nossa própria casa. Ora, para quem, como eu, mora num Rés-do-Chão, privacidade é fazer show-off dos meus (não tão) potentes abdominais para a vizinhança que tenho o prazer de cumprimentar pela manhã. Portanto, não, a nossa casa não é a resposta certa. Se respondessem casa de banho... talvez. Mas adiante.

Ora, outro desses sítios que eu julgava que nos proporcionavam privacidade quase inviolável era o nosso carro. E antes que comecem a afagar os vossos genitais, pelo amor de Deus, eu estava no trânsito às seis da tarde, não num caminho ermo às duas da manhã, seus tarados sem vida. Isto não é um capítulo da Harlequin e este blog não é a Gina. Retomando, estava no trânsito, preocupado lembro-me lá eu com o quê, quando olho para o retrovisor e que vejo eu? O cavalheiro que seguia no carro atrás do meu, também ele claramente convicto do que se revelou ser um verdadeiro mito urbano: a privicidade do nosso veículo. Estão a ver? É que se ele suspeitasse que pelo retrovisor do carro da frente podia ser visto a enfiar o seu grosso indicador pela narina adentro e revolver e revolver e revolver até sair uma verdosa de lá de dentro, certamente que não o faria. Para vos ser franco, todo aquele espectáculo prendeu-me a atenção. Minutos depois, fiquei feliz por o despistar na marginal e cheguei são e salvo a casa, para vosso gáudio.

Dias volvidos, passada a perturbação do momento, não posso deixar de me interrogar. Qual era o mal? Privacidade ou não, estando ele num espaço público ou não (e isto é discutível à luz do Direito, acreditem em mim que não sou advogado, mas tenho noções de História do Direito no séc. XVI), repito, que se pode censurar a esse senhor ou a qualquer pessoa que desempenha a sua higiene nasal quando a tem de desempenhar? Ele está claramente a trabalhar para ser um homem mais limpo e impoluto, potenciando aquilo que lhe foi dado por Deus e para que o comum lenço fabricado pelo Homem é insuficiente: a unha! Já experimentaram raspar uma raspadinha com uma unha? Não é tão eficaz como uma moeda, pois não? Mas não podem propriamente meter uma moeda no nariz, pois não? Pelo menos de modo a limpar como deve ser. Mas uma unha numa cavidade nasal? O seu efeito raspante é superior ao da superfície lisa do lenço, incrementando desse modo a eficiência da limpeza, mas ai daquele que se lembrar a escavar a narina em público! A sociedade critica.


O mesmo com cuspidelas. Ahhh... está bem. Vamos tratar as coisas pelos nomes. Escarros. Sim e novamente: das verdosas. Não vou comentar o óbvio. Expelir as escarretas é saudável para o ser humano, especialmente para o aparelho respiratório (não, não sou médico, mas o GD é. Perguntem-lhe, pode ser que ele vos responda). A sociedade não critica isso. Mas mandar para o chão?! Valha-vos Deus, nunca mais a rapariga que vir uma coisa dessas olha na vossa direcção! E a sociedade critica! Mas ouçam bem! A escarreta ajuda ao equilíbrio do meio ambiente, que é algo que já não acontece com a ponta de um cigarro. Quer dizer, todos vocês, espertalhões que fumam, são capazes de mandar uma ponta pró chão, mas se eu espetar com uma verdosa ficam a olhar para mim, não é? Filhos da mãe.



E que me dizem a lavar as mãos após defecar? Ah pois é? Então o papel higiénico está entre a mão e a bosta, não há contacto de espécie alguma, digam-me para quê lavar as mãos. Elas estão na mesma condição que quando entrei no WC e me sentei na sanita! Portanto... qual é a crise?... Mas a sociedade critica.

Espero que este post vos ajude a superarem alguns dos vossos preconceitos civilizacionais e contribua para que as pessoas com mocosidade excessiva, elevados índices de especturação e..., bem, os mais expeditos na casa de banho não se sintam marginalizados por uma sociedade que nunca precisou de desculpas para ostracizar os nerds, os geeks e as pessoas que não sabem dançar... malditos!

ML