sexta-feira, março 17, 2006

Carapaus com Chantilly orgulha-se de apresentar...



Poucos filmes atingem níveis tão perturbadora e incomodativamente maus que permitem a aplicação da teoria circular da apreciação qualitativa cinematográfica do meu querido amigo HS. Bandidas é, seguramente, uma dessas insignes produções. Permitam-me uma breve introdução à película.

Obviamente concebida para macho ver, Bandidas revela um esforço exaustivo de reunião de uma rica colecção de clichés sobre duas mulheres em busca de vingança num cenário selvagem como é o do México no século XIX. Num enredo de complexidade zero, a narrativa desenrola-se em torno do longo caminho das quatro protagonistas em busca da confiança mútua e da verdade por todos sobejamente conhecida sobre o assassinato do inevitável Don Diego (quem mais? Ou Diego ou Ramón, um deles teria de ser).
Seguindo a teoria circular do HS (veja-se abaixo), Bandidas começa assumidamente no patamar «Mau» quando nos apercebemos que a personagem María (obviamente María!) está realmente a fazer o jogo do galo com o seu cavalo. Após esta perturbadora cena, ficamos (e digo ficamos porque, obviamente, falamos enquanto homens!) sem saber se deveríamos lamentar esse acto de confiança que é a entrega dos cinco euros ao homenzinho dos bilhetes quando, meros dez minutos discorridos, as vestes da Penélope Cruz se rasgam casual, mas um tanto obviamente, na primeira cena mais aguerrida, digamos assim, do filme. Ou quando o argumentista (porque não me ocorre outra razão para isto ter sucedido) ditou que as actrizes se deveriam entregar a um imponente, portentoso e húmido conflito entre si.
Sabemos que queremos sair da sala quando nos apercebemos que o enredo não vai passar além de qualquer coisa que a minha prima de cinco anos, a Catarina, não teria dificuldades em compreender, o que ocorre mais ou menos quando surgem diálogos como «mas, pai, não podemos deixá-los roubar as nossas terras» e «mas filha, não temos dinheiro para pagar as dívidas ao banco».
Mas o nosso leitor, neste momento suspeitando que este vosso crítico de cinema troça de si, não deve preocupar-se. Pois rapidamente Bandidas completa o círculo. Sabemos que estamos na presença de uma obra de arte perfeita quando, naquilo que encaramos claramente como um retomar da saudosa tradição da saga Rocky sobre o valor da disciplina conseguida com os treinos rigorosos, as actoras são submetidas a uma intensa preparação para aprender a roubar bancos. O cinéfilo pagante toma então conhecimento do apuro físico que é possível lograr com a realização de flexões dentro de uma ribeira sob o olhar atento do treinador barrigudo que faria inveja ao meu pai nos seus tempos de glória. Deste momento em diante o apreensivo cinéfilo não parará de rir pela previsibilidade, sexismo e exibicionismo corporal de um filme tão mau que atinge a perfeição.


Teoria Circular do HS




ML

3 comentários:

Anónimo disse...

Comer, come-se sempre! Pipocas!! ;P

carlopsis disse...

Perfeito, perfeito só se fossem loiras, né ML? ;)

Carapaus com Chantilly disse...

Ahh bandidas! Me han roubado el corazon!! :D
Mas que filme tão MAU!