quarta-feira, maio 30, 2007

Resultado da greve

É interessante como acontece sempre a mesma coisa. Dia de greve, confusão total, finalmente se percebe que há muita gente que está a trabalhar fora da função pública. Também se descobre ou redescobre que muita muita gente tem transporte particular ou então sofre de severas perturbações mentais e resolve passear de carro sempre que há greve da função pública. E finalmente os patrões (alguns, alguns) demonstram alguma compreensão relativamente aos atrasos dos seus trabalhadores. Mas dizia eu que acontece sempre a mesma coisa e na verdade não é disto que se trata. Falo sim dos resultados exibidos orgulhosamente quer pela CGTP como pelo Governo. Desta vez a CGTP divulgou que 78% dos trabalhadores aderiu à greve mas o Governo divulgou, por sua vez, o interessante valor de 13%. Ora bem, se a matemática não me falha, há aqui uma disparidade notória.

O que mais me assusta no meio disto tudo é que chegar aos valores de adesão à greve, acaba por ser, quase exclusivamente, uma questão de saber quem não foi trabalhar ou seja, é preciso contar pessoas ou contar a falta de pessoas tendo em conta o número de trabalhadores que se tem. Contar pessoas afigura-se portanto como uma actividade que tanto o pessoal da CGTP como o pessoal do Governo são obviamente incapazes de fazer. Isto sim é terrivelmente assustador porque indica claramente que das duas uma, ou as pessoas que recebem o meu IRS, tratam das minhas papeladas legais, orientam portanto a minha vida como cidadão, não sabem fazer contas e neste caso já percebo porque nunca nada funciona quando é preciso, os papéis nunca estão correctos, as contas falham sempre, é sempre preciso pagar mais mesmo que depois nos digam que afinal somos nós que temos de receber, etc. Ou são os governantes, pessoas que no fundo mandam nas outras pessoas que não sabem fazer contas, que também não conseguem realizar algo como uma simples subtracção: Nº Total de Trabalhadores - Nº de Trabalhadores que Faltaram.
Tremo só de pensar que é esta gente que faz este país funcionar. A nossa sorte é que não são só eles!

P.S. Também achei interessante o orgulho com que uma cidadã, dirigente da CGTP, explicava que os serviços de saúde trabalharam durante um dia inteiro apenas com os serviços mínimos. É realmente algo que merece ser dito com grande orgulho e tenho a certeza que os milhares de utentes que habitualmente já desesperam nas urgências adorariam dar-lhe umas "palmadinhas" de apreço.
CP

3 comentários:

Arya disse...

bleepin' brilliant, as alwaysss...!

Carapaus com Chantilly disse...

Isso é caso para fazer justiça ao slogan do governo: "estudar compensa"!

;)

Le Rachelet disse...

E alguém me explica porque não vieram recolher o lixo, coitadinho, que ali ficou todo o dia à mercê dos elementos, hã? O lixo não tem culpa dos vossos desentendimentos, grevistas do lixo!