quarta-feira, maio 03, 2006

Outras Actividades

Eu sou um artista. Pessoalmente nunca me tinha apercebido de tal até hoje. E não tem nada a ver com aquilo que faço aqui para este Blog, que é, para alguns sectores mais condescendentes e afáveis da sociedade [designadamente, a minha família e amigos], entreter por via de humor, logo, ser um artista.

Não, o eu ser um artista tem que ver com aquilo que faço no «Mundo Real». O «Mundo Real», para os mais desatentos, é aquele espaço composto de obrigações e responsabilidades (amiúde fiscais) para com uma estrutura que nos habituamos a odiar desde que os primeiros rasgos de iluminação atingem as nossas consciências entorpecidas por muita PS2, muita X-Box ou, no meu tempo, muito Super-Nintendo e Mega-Drive: para os que se perderam no meio desta incrivelmente extensa, agora tornada ainda desnecessariamente mais longa frase, a estrutura em causa é o Estado.

E o Estado, na sua vertente fiscal, é precisamente aquilo que me traz aqui hoje. Porque, companheiros, eu desempenho uma função social que tradicionalmente é considerada edificante, nobre, entre outros adjectivos invejáveis que frequentemente são sinónimos de «desemprego» ou «penúria» ou mesmo o clássico «falta de guito». Mas hoje descobri que o que eu faço é sinónimo ainda de algo mais que não me tinha ocorrido. Eu entretenho: do ponto de vista fiscal eu sou um entertainer. E porquê? Porque sou um investigador. Pomposo, né? Mas, para os devidos efeitos (efeitos fiscais) sou um «outras actividades literárias e artísticas» ao contrário, por exemplo, de outros amigos meus que estavam presentes no momento fundacional da minha actividade tributária e que tiveram direito a ser «engenheiros».

O que faço é uma arte, eu sou um artista. Mas, é claro, como bom artista, artista digno, sou um marginal, como bem se expressa na identificação do meu estatuto fiscal: «outras actividades». Eu portanto sou tributariamente equiparado a tudo quanto são actividades marginais como o serviço de acompanhantes, a prostituição masculina e o travestismo, tudo isto formas indiscutíveis de arte porque, convenhamos, é preciso arte para simular orgasmos repetidos várias vezes numa noite e expressões de surpresa perante a dimensão do membro masculino.

Agora ficava bem uma nota final moralizadora sobre as deficiências de uma sociedade que assim desqualifica os seus teorizadores e pessoas mais preparadas para a pensar e melhorar. Mas não. Eu só queria partilhar com todos vós a recém-obtida consciência de ser um prostituto do qual poderão usufruir a preços competitivos caso o contacto seja feito através deste Blog.

Um muito obrigado a todos,

ML

2 comentários:

dominó disse...

ahh grandes artistas!lol

bio disse...

em nome dos restantes "artistas" (para as finanças pelo menos) um obrigado pelo excelente post