terça-feira, maio 10, 2005

"os númaros"

Era uma vez um alegre rapazito que queria apanhar o autocarro vinte e três. Dirigiu-se pois então ao Marquês de Pombal, penetrando pelo meio da neblina de pó e fumo, vindos das escavações pseudo-arqueológicas que pretendem, ao que parece, encontrar um "túnel do Marquês". Depois de um longo caminho e dois quase atropelamentos, o rapazinho lá chegou ao seu destino, a paragem de autocarro. Maravilhado contemplou a placa suja e verificou que, de facto, o vinte e três passava por ali. Mas quando? - perguntava o rapazinho entusiasmado com a ideia de poder chegar a horas ao seu destino.
E o tempo, como tende a acontecer, lá foi passando. E com o tempo que passava, outros autocarros chegavam. O rapazinho viu passar o oitenta e três e o quarenta e dois, o autocarro dois e o que segue para um sítio com um nome demasiado estranho para que o rapaz o fixe.
Uma hora mais tarde, já cinco oitentas tinham por ali passado, seis dois, quatro quarenta e dois e o vinte e três nem vê-lo. O rapazinho, já com lágrimas nos olhos, começou a olhar à sua volta procurando um qualquer sinal de esperança. Apenas avistou os sinais de via em obras, agradece mos a sua compreensão! Mas compreensão era algo que o rapazinho já não podia ter. A esperança de chegar a horas, há muito tinha partido, tal como a paciência do rapaz que, olhando já com ódio para a plaquinha amarelo-sujo, murmurou algumas palavras impróprias para serem lidas por gentes de bem.
Passados mais vinte minutos, eis que surge o vinte e três. A fila já vai longa e o rapazinho, já desesperado, ao entrar no autocarro tropeça, ficando para trás. Quando consegue finalmente entrar, lugar para ele ninguém guardou, oh boas são as almas de lisboa, e o rapazinho de pé ficou, esborrachado contra um sovaco alheio.

Moral:
Quem espera o vinte e três, vê passar muitos oitentas e três, dois, quarenta e dois e mais uns quantos. Apenas ganha um enorme trinta e um!
CP

3 comentários:

Toranjinha disse...

Muito interessante, mas reparei que nos links houve alguém que disse que a Bruxa era "do" Carrapito. Ora, vejamos, a bruxa não pertence a nenhum carrapito. Carrapito é o nome da bruxa... Só se ela se chamasse assim algo do género: Bruxa Maria Antonietta (com dois tt) do Carrapito, mas não é esse o caso... lolol
Quanto aos autocarros... Bem, isso é lixado, mas o pior mesmo é quem tem que apanhar dois tranportes por dia e eles invariavelmente ficam parados a meio do caminho... Isso é que é mesmo lixado...

Toranjinha disse...

Pronto, uma vez que o meu amigo "carapau" resolveu o problema, retiro os insultos e injúrias que disse, porque ele é mesmo um querido.
(Está melhor assim?)

Toranjinha disse...

Pronto, um comment bonito:

"CP és um querido porque corrigiste o erro na tua lista de links e pronto, porque és um bacano fixe e pronto e tal.

P.S.: Vê lá se agora deixas um comment jeitoso no meu blog, hem?

Assumo publicamente que te acho um querido e pronto e tal, porque tu és um querido... e eu estou a dizer que tu és um querido porque sei e tal que tu não gostas que te chamem querido e tal e prontosssss."